A década dos reinventores
Autor do mais celebrado romance brasileiro do ano passado, O filho eterno (Record), o escritor Cristovão Tezza entrega uma senha para os que desejarem, um pouco precocemente, interpretar a ficção brasileira da primeira década do século XXI. A princípio, O filho eterno era um livro híbrido, a meio caminho entre a história pessoal e a confissão. Em outras palavras: em seus primeiros manuscritos, Tezza trabalhava a reboque da realidade – como se fosse seu refém. E isso, admitiu depois, o impedia de escrever. Só conseguiu avançar quando entendeu que, mesmo lidando com materiais íntimos, devia arriscar-se em um salto para além do real. Abandonou, então, o relato em primeira pessoa, e substituiu o “eu” por um outro – um “ele”. Afastado da realidade, o relato de Tezza ganhou autonomia. Em vez de escrever na esperança de espelhar o mundo, ele escrevia, agora, para reinventá-lo. Essa mudança de atitude o levou a concluir, enfim, seu grande livro.
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