Escritores fantasmas
A invisibilidade dos escritores tem pouco ou nada a ver com a fama, assim como a fama tem pouco ou nada a ver com a literatura. Atores, celebridades e políticos, cuja sede de aclamação pública interminável, boa parte dela forjada, ultrapassa qualquer medida normal, podem alimentar-se intensamente da fama, mas esta sempre é produto da cultura atual: tópica e variável, portanto efêmera. Os escritores são constituídos de maneira diferente. O que os escritores prezam é mais simples, mais quieto e duradouro que a ruidosa fama: é o reconhecimento. A fama, de modo geral, é uma categoria própria dos contadores, sendo contabilizada em vendas. Já o reconhecimento, calado e inerente ao silêncio da página, é uma categoria pertencente aos leitores: sua invisibilidade é sua riqueza. Recorde-se o lamento de Henry James sobre sua New York Edition [coletânea de sua obra elaborada e apresentada pelo próprio autor, entre 1907 e 1909], com suas revisões refletidas e seus prefácios inestimáveis: o trabalho gigantesco de toda uma vida não saudado, não lido, não vendido.
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