Mundo dos livros chega à população rural
Um projeto desenvolvido pela Secretaria de Reordenamento Agrário do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) vem trazendo esperança de dias melhores para famílias das zonas rurais do País. O Programa de Bibliotecas Rurais Arca das Letras foi criado em 2003 para incentivar a leitura e facilitar o acesso aos livros em assentamentos, comunidades de agricultura familiar e de remanescentes de quilombos. Cada biblioteca possui cerca de 200 títulos obtidos por doação, entre literatura infantil, literatura para jovens e adultos, livros didáticos, de pesquisa e técnicos – cidadania, saúde, agricultura – incluindo assuntos de interesse das populações rurais e suas necessidades. Conforme a coordenadora nacional do programa, Cleide Cristina Soares, os resultados positivos podem ser conferidos em relação ao desenvolvimento comunitário, já que parte do acervo é destinada a livros que fazem parte da realidade rural, como publicações sobre agricultura. Em todo o Brasil, o Arca das Letras já implantou mais de 5.800 bibliotecas rurais em mais de 1,7 mil municípios brasileiros. Até o momento, mais de 1,2 milhão de livros foram distribuídos, beneficiando cerca de 700 mil famílias do campo.
Instalada na casa de um morador ou na sede de uma associação rural, é a própria comunidade que escolhe os assuntos que formam os acervos, o local onde a biblioteca irá funcionar e indica os moradores que serão capacitados como agentes de leitura – voluntários que são responsáveis pela organização do programa e pelo incentivo à leitura na comunidade. E de acordo com a coordenadora, os bons resultados obtidos desde a implantação em 2003, se dá pelo envolvimento da comunidade no projeto. “Eles participam ativamente do planejamento das bibliotecas, dão sugestões e isso proporciona uma aproximação maior dela com os livros”, afirma. Por meio de um trabalho bem artesanal, a biblioteca é organizada em um móvel de madeira fabricado em marcenarias de penitenciárias por trabalhadores sentenciados, que recebem bolsas de trabalho e redução de suas penas.
São confeccionadas também na Fundação Pão dos Pobres no Rio Grande do Sul, no Centro de Profissionalização Integrado do Piauí – Secretaria de Estado da Educação e em alguns municípios por iniciativa das Prefeituras. O trabalho de atendimento oferecido nas bibliotecas é feito por 12 mil agentes de leitura, que contribuem para melhorar os índices educacionais de suas comunidades, além de apoiar o trabalho e valorizar a cultura no meio rural. O programa já ultrapassou fronteiras implantando três bibliotecas Arca das Letras em Díli, no Timor Leste, e na capital cubana, Havana, como cooperação solidária. Para Cleide, apresentar o mundo da leitura para as crianças e fazer com que ela se interesse não é a tarefa difícil. “Nosso maior desafio é incentivar a leitura entre os jovens e adultos. Por isso, apresentamos primeiro publicações que tenham a ver com a realidade daquelas pessoas, e assim, estamos conseguindo atingir nossas metas e a leitura acaba se tornando um hábito na vida dessas pessoas”, conclui.
Depois de implantadas na comunidade, as bibliotecas são visitadas pela equipe do programa na intenção de acompanhar o seu desenvolvimento na comunidade. “Pelas nossas contas nós entregamos três bibliotecas por dia, desde 2003. Depois de implantado o programa voltamos à comunidade para acompanhar o trabalho e os resultados dele. Cada encontro dura em média dois dias, quando discutimos os avanços e as sugestões de toda comunidade participante. No meio rural, o livro chega e é lido”, garante Cleide.

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