A senhora da canção e do destino
Neste domingo Dona Ivone Lara pediu algo a Deus. Ela completou 88 anos no dia 13 e deseja chegar aos 100. “Desde que Ele e Nossa Senhora das Cabeças conservem minha cuca direita.” O respeito à autoridade divina tem o mesmo peso da sua crença na necessidade de uma mulher pensar por si mesma. Se Deus a inventou, foi para ela ser livre. Considerada pela crítica a maior melodista do samba, Dona Ivone Lara possui mais um título: ela é independente, apesar de ter nascido mulher, negra e pobre no Brasil. Foi essa a trajetória que fascinou a jornalista e antropóloga Mila Burns, de 28 anos, autora de Nasci para sonhar e cantar – Dona Ivone Lara, a mulher no samba (Record, 128 pp., R$ 32). Ela viu na biografia da compositora a possibilidade de falar do papel da mulher no samba e, por extensão, na sociedade brasileira. Para ela, o legado de Dona Ivone se compõe de canções antológicas e lições de vida.
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