Desencadernando Machado
Passado o barulho das comemorações do centenário de morte de Machado de Assis, vale a pena voltar com calma e sem alarde — bem ao gosto do homenageado — ao livro que Maria Helena Werneck lhe dedica, O homem encadernado: Machado de Assis na escrita das biografias (Eduerj, 278 pp., R$ 40). Trata-se de oportuna reedição do mais completo estudo até hoje realizado sobre as biografias do nosso maior escritor, trabalho originalíssimo pela perspectiva adotada e pelo modo como se configura, através dela, o andamento crítico de constituição canônica de uma obra e uma assinatura. A crítica biográfica, desde cedo, procurou entender o enigma Machado de Assis por meio da superposição equivocada entre vivência pessoal e realização literária, levada pelo desconforto frente a um escritor que se distancia espantosamente de seus pares, num meio cultural provinciano que é, no entanto, seu espaço de produção e afirmação intelectual e artística.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta


