Salada para uns, riqueza para outros
O poeta alemão Joachim Sartorius constatou que a poesia árabe é cheia de “pathos” — método de persuasão que apela à emoção do público. Alguns partem para o extremo: uma poesia do passado que para os ocidentais não existe mais. Mas alguns europeus talvez tenham ido muito longe na direção oposta, diz Sartorius. “Talvez alguns poetas europeus precisem hoje de um pouco mais de “pathos”. O típico poeta do Ocidente vem de grandes cidades e passou pelo niilismo e pelo cinismo, ficando muito distante”, reconhece ele. Para o poeta português Paulo Teixeira, a poesia dos Emirados Árabes, por exemplo, é muito tradicional e ainda “canta a herança do deserto”. Fala de algo que não existe mais, quando uma das funções da poesia, observa Teixeira, “é se adaptar aos tempos”. Mas ele também acredita que a poesia do Ocidente, por refletir o fim das ideologias e de uma série de crenças que marcaram o século XX, está hoje “órfã de um ideal”. Tornou-se uma poesia “muito discursiva, descritiva e cada vez menos lírica”.
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