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Entre a promessa e a realidade

08 de março de 2009
2 min de leitura

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O que esperar da universidade no século 21? Que contribuição poderá dar a este século que se anuncia sob a égide da ciência, da racionalidade técnica e de categóricas exigências educacionais? Nascida como ideia nos primórdios da era moderna, vinda das entranhas da Idade Média, a universidade só ganhou corpo e conceito claro no decorrer do século 19, fase demarcada pelo celebérrimo Memorando de Guilherme de Humbold, que é de 1808-1809. Desde então, esteve sempre no centro das atenções e das controvérsias. No Brasil, por exemplo, chegou com atraso, como reflexo da condição colonial e dos vínculos culturais fortíssimos que o País mantinha com a Península Ibérica, região onde a prevalência da Igreja e da escolástica dificultou a recepção da cultura científica. A universidade moderna encontraria, por aqui, um “complexo de determinações de longo prazo” que decretariam sua “multissecular inexistência” – processo que só conheceria reversão nos anos 30 do século passado, com a criação da Universidade de São Paulo. Este o principal eixo argumentativo do belo livro recém-lançado de Fausto Castilho, emérito da Unicamp, ex-professor de filosofia na USP e na UNESP – O conceito de universidade no projeto da Unicamp (Unicamp, 207 pp., R$ 25). Estruturado como um diálogo conduzido pelo também filósofo Alexandre Guimarães de Soares, o livro é mais que uma análise das origens desta que forma, com a USP e a Unesp, o miolo do sistema universitário brasileiro. Trata-se, sobretudo, de uma erudita e instigante reflexão sobre os dilemas da universidade no Brasil.

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