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Dinâmica do amor maternal conduz narrativa vertiginosa

07 de março de 2009
2 min de leitura
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Bernardo Carvalho viajou a São Petersburgo para escrever uma história de amor, mas escreveu um romance sobre a guerra. Melhor dizendo, sobre o amor devastador que, ao suspender qualquer noção de justiça, pode dar origem às guerras: o amor entre mãe e filho. O espaço ficcional de O filho da mãe (Companhia das Letras, 208 pp., R$ 39) é a Rússia à época da segunda guerra da Tchetchênia. A ação se passa entre Grózni (capital da república separatista), São Petersburgo, Moscou e Vladivostok (no extremo oriente do país) – incluindo um entrecho que leva de Belém do Pará ao Suriname. Choques entre tropas federais e milícias muçulmanas no Cáucaso, ameaças terroristas, fluxo de refugiados, gangues urbanas: é a guerra pós-moderna, com o nacionalismo manipulado para criar Estados policiais escorados no tráfico de armas e informações. Mas a aberração da guerra só potencializa outras aberrações. Pode-se dizer que Carvalho escolheu ambientar a maior parte de seu romance em Petersburgo – cidade “construída segundo a lógica da visibilidade total” – para tornar explícita a lógica das relações mais elementares. “Sempre haverá alguém pronto para reconhecer e atacar a vulnerabilidade onde quer que ela se manifeste”.

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