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Guardião das letras

08 de fevereiro de 2009
2 min de leitura

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José Mindlin está inconformado. Aos 94 anos, perdeu dois hábitos que são as maiores paixões de sua vida: ler e garimpar livros. A visão avariada deixou o bibliófilo de mãos abanando. Antes, ele sentava na poltrona marrom de sua casa, no Campo Belo, e lia, em média, oito livros por mês. Hoje, gasta duas horas diárias escutando a leitura das filhas ou das netas. No momento, ele degusta a audição do quarto volume de Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust. Ao longo da vida, leu quatro vezes a obra, sempre no original, em francês. A primeira vez, foi aos vinte e poucos anos. “Não enxergar tão bem é uma dessas injustiças da sorte”, diz. O irônico é que ao redor de Mindlin fica a maior biblioteca privada do país. Desde os 13 anos, ele se acostumou a perseguir livros pelo mundo. O resultado é uma coleção preciosa de 50 mil títulos, apinhada de raridades, dos quais leu 6.000. Desde sua primeira aquisição, encontrada num sebo de São Paulo – o Discurso sobre a história universal, de 1740 -, até curiosidades como um livro de Graciliano Ramos, cujo título foi rabiscado pelo autor. Tal busca por raridades é diagnosticada por Mindlin como uma “loucura mansa”, de dimensão patológica. “O coração bate forte quando tenho em mãos uma primeira edição.”

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