Uma sociologia das formas
Tornou-se moeda corrente dizer que a crítica sociológica marxista é uma aplicação redutora de conceitos como alienação, infraestrutura e reificação à obra ficcional; que o artefato literário, submetido a tais categorias, seria deformado em mero reflexo de condições objetivas. Para reducionismo, reducionismo e meio. Tão risível quanto o “realismo socialista” – credo bolchevique formulado por Jdanov para confinar ideologicamente a escrita (e, não raro, os escritores) – é confundir o marxismo vulgar, por exemplo, com a complexidade de um autor como Lucien Goldmann (1913-1970). O autor de O Deus escondido é tema do livro Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (Boitempo, 192 pp., R$ 43 – Trad.: Wanda Caldeira Brant), de Michael Löwy e Sami Nair. O volume inclui análises de seu pensamento, excertos, fragmentos de intervenções públicas e trechos de debates de Goldmann com Marcuse. A simples menção desse diálogo com um dos representantes do chamado “marxismo ocidental” e da Escola de Frankfurt já é indício da sofisticação intelectual que o presente livro disseca.
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