Nostalgia e pesadelo
Na introdução de seu romance, A cicatriz de David (Record, 448 pp., R$ 39), a escritora Susan Abulhawa conta que o crítico literário Edward Said, principal voz da causa palestina nos EUA, morto em 2003, teve grande influência na elaboração do livro. “Certa vez ele lamentou a falta de uma narrativa literária palestina, e eu incorporei seu desapontamento à minha sacola de decisões”, escreveu Susan, filha de refugiados palestinos da Guerra dos Seis Dias, em 1967. Moradora da Pensilvânia, nos EUA, fundadora da ONG Playgrounds for Palestina — dedicada a criar espaços de brincadeiras para crianças da região —, Susan, apesar da formação na área biomédica, resolveu se lançar na ficção depois de visitar, em 2002, o campo de refugiados de Jenin, naquele ano alvo de severos ataques por parte das forças israelenses, na sua caça a terroristas. A partir de suas memórias e das histórias de refugiados que conheceu, Susan conta o drama de uma família dilacerada pelos conflitos na região. Os personagens, afirmou em entrevista ao Globo por telefone dos EUA, são todos ficcionais.
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