Que tal uma foto com Clarice?
A imagem de Clarice Lispector tomou de assalto a cidade do Porto e arredores, em Portugal. Seu rosto enigmático tem aparecido em muros e postes e desaparecido, sem aviso. Isso quando não há uma moça estacionada numa rua qualquer, a interpelar os transeuntes, com a foto da escritora brasileira, de origem ucraniana, nas mãos: “O senhor poderia me deixar fotografá-lo segurando esta imagem?”. A moça é Patrícia Lino, de 18 anos, estudante de letras da Universidade do Porto. É ela a responsável pelo súbito alvoroço em torno da figura de Clarice, que tem deixado intrigados moradores da região. Mas o objetivo é esse mesmo: espetar a curiosidade alheia e, com isso, divulgar a obra da autora. Projeto ambicioso, que teve início num mero trabalho acadêmico: Patrícia precisava escolher um autor para analisar no curso de Métodos e Técnicas de Pesquisa. A ideia original era fazer retratos, de punho próprio, do rosto de Clarice (Patrícia também é desenhista). E ela os fez, de fato. Mas então imaginou “que seria bom também espelhar o rosto dela nas pessoas da cidade”, conta.
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