Reconhecer, perceber e sentir
Como pensar a leitura? Ao buscarmos responder a essa pergunta, somos tentados a elucidar o que vem a ser ler. Dentre as muitas definições para o verbo, é possível encontrar: “reconhecer, perceber, sentir”. Para aqueles que têm na leitura um hábito, tais acepções parecem sugerir um sentido para a leitura que vai muito além do simples ato de percorrer um texto com os olhos. Por intermédio do texto literário, o leitor tem a possibilidade de encontrar-se consigo mesmo, consciente ou inconscientemente, por meio da descoberta do outro. No ensaio escrito para Leitura e experiência: Teoria, crítica, relato, organizado por Evando Nascimento e Maria Clara Castellões de Oliveira, Eliana Yunes sustenta que os muitos modos de ler “conduzem a uma consideração reflexiva de nós mesmos e do mundo, à percepção do desentendimento das coisas e dos homens que, se não nos conforta pela identificação, estimula-nos à alteração.” Sob esse prisma, ler é mais do que ato; ler é movimento, é gesto de reconhecimento (e desconhecimento), de ponderação, de percepção de si e do outro e, portanto, torna-se uma experiência única: daquele sujeito, daquele tempo, daquele lugar.
Giovana Cordeiro Campos – Tradutora, mestre em Teoria da Literatura pela UFJF; mestre em Literatura Brasileira pelo CES/JF e doutoranda em Estudos da Linguagem pela PUC-Rio.
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