Gullar inédito
O perfume do jasmim pode não ser inspirador para a maioria das pessoas, mas, para o poeta Ferreira Gullar, é motivo de epifania – ao sair, certa noite, da casa de Cláudia Ahimsa, sua companheira e também poeta, ele foi acometido por um incontrolável impulso, só dominado quando surgiram os versos do poema Desordem.: “… o jasmim, por exemplo,/ é um sistema/ como a aranha/ (diferente do poema)/ o perfume/ é um tipo de desordem/ a que o olfato/ põe ordem/ e sorve…”. Experiências como essa, que não recriam a realidade, mas a reinventam, é que transformam o cotidiano do poeta e, de resto, da grande poesia brasileira. Afinal, depois de dez anos da publicação de seu último livro de versos, Muitas vozes, considerada a melhor obra de 1999, Ferreira Gullar está finalizando Em alguma parte alguma, com poesias inéditas que a editora José Olympio pretende publicar ainda neste primeiro semestre. “Até agora, ele já escreveu 50 poemas, que cobririam cerca de 80 páginas”, comenta Maria Amélia Mello, editora da José Olympio e principal responsável pela qualidade das obras publicadas. “Mas Gullar acredita que ainda vai escrever alguns.
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