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O grafiteiro como escritor

13 de dezembro de 2008
2 min de leitura
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A empreitada de um livro/catálogo sobre o grafite, produzido nos cinco continentes, é, por si só, um audacioso projeto artístico. Assim é o livro do também artista de grafite, Nicholas Ganz, O mundo do grafite.(Martins Fontes. 376 pp., R$ 79,80 – Trad.: Rogério Bettoni), lançado agora no Brasil. Ao apresentar o breve histórico do grafite no mundo contemporâneo, o autor/artista destaca a extensão do fenômeno, ao mesmo tempo em que desenha uma espécie de rota do estilo ­ a origem na América, passando pela Europa, até sua disseminação pela Ásia e Austrália. Nesse passeio global identifica-se um neocosmopolita ­ justamente o grafiteiro. A identidade desse personagem urbano e poético é uma provocação visual. É nele que Ganz se ancora para contar uma história visual contemporânea do grafite. O estilo de vida é a força motriz dessa dinâmica de confronto visual com a cidade-mundo. O livro levanta três questões que parecem efetivamente colocar a pesquisa sobre o grafite em destaque: a envergadura da sua produção pelo mundo, o que justifica um olhar mais detido e crítico sobre o fenômeno; o desafio contundente de reunir, catalogar, nomear e classificar a produção de grafite, um garimpo de imagens desgastadas, perdidas e quase apagadas; e, por fim, a perspectiva autoral de uma arte que, a princípio, cumpre uma encenação de assinaturas codificadas e intervenções às escondidas.

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