Foram meses de texto ruim e lentidão
Um dia, o escritor americano David Benioff sentou-se para conversar com seu avô sobre como ele sobreviveu ao cerco de Leningrado pelos nazistas, durante a Segunda Guerra. A história (tanto da conversa com o avô quanto do cerco de 900 dias) está em Cidade de ladrões (Alfaguara, 296 pp., R$ 37,90 – Trad. Álvaro Hattnher), seu segundo livro, recém-lançado no Brasil. Mas, diferentemente do que o leitor é induzido a crer, não é uma memória real. “O livro deve ser considerado ficção”, diz Benioff, à Folha por telefone, de sua casa em Los Angeles. O que é real é o cenário de privação retratado, com os habitantes famintos ao nível do canibalismo. Benioff pesquisou longamente sobre o cerco para recriar com fidelidade o ambiente em que jogou seus protagonistas fictícios, enviados em uma missão surreal: achar ovos para o bolo de casamento da filha de um general. Confira a entrevista concedida pelo autor.
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