É duro ser herdeiro no Brasil
É difícil ser herdeiro no Brasil. A afirmação pode soar esdrúxula, mas quando o que está em jogo é o legado cultural deixado por um ente ilustre – como os desenhos do muralista Paulo Werneck ou os cartuns de Henfil – filhos e netos atravessam um calvário burocrático em busca de colocação em editais de lei de incentivo. Guardados a portas fechadas num quarto de casa ou acondicionados em pastas e gavetas num antigo ateliê, acervos valiosíssimos perecem longe dos olhos do público à mercê do ritmo moroso dos protocolos. O jeito parece ser mesmo arregaçar as mangas e encontrar soluções imediatas. Assim, vão a leilão, entre os dias 18 e 21, no Soraia Cals Escritório de Arte, em Copacabana, cerca de 600 quadros da coleção de Jorge Amado, morto em 2001. Com o dinheiro amealhado, os herdeiros, encabeçados por Paloma Jorge Amado, filha de Amado e Zélia Gattai, querem levantar fundos e fazer da casa do autor em Salvador – onde o casal viveu por 46 anos e em cujo jardim foram enterradas suas cinzas – um memorial. As fotos e textos originais de Jorge Amado e outras peças de acervo ficam sob guarda da Fundação Casa de Jorge Amado, na capital baiana.
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