O que vai na sacolinha
A novíssima geração de freqüentadores da Feira do Livro de Porto Alegre demonstra convicção equivalente à de leitores veteranos ao escolher as obras que serão levadas para casa. Cada vez mais, decidem por conta própria os títulos e seguidamente chegam às barracas já sabendo o que querem acrescentar a suas precoces bibliotecas. Anita Torres, de apenas dois anos e nove meses, é um exemplo extremo: quer levar tudo. Na manhã desta quinta-feira, puxava os livros das prateleiras, se abraçava a eles, chamava a mãe de uma barraca para outra. Praticamente desde que nasceu, as letras e figuras coloridas são um de seus brinquedos prediletos. Mesmo quando anda pela rua com a mãe, Bibiana Torres, 37, pára ao passar por bancas de revista que ostentem algum livro mais chamativo. “Libo, libo!”, costuma dizer, apontando o dedo para as prateleiras. A predileção é tão grande que, na Feira do ano passado, a mãe comprou dezenas de títulos e escondeu parte deles para entregá-los, aos poucos, ao longo do ano. Não fosse assim, teria de comprar muitas outras obras nos meses seguintes e extrapolar o orçamento familiar. Bibiana brinca: “Agora, acho que vou gastar uns R$ 400. Não vai sobrar nada para mim”.
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