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Memória das garras do condor

02 de novembro de 2008
2 min de leitura

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Era uma vez, nos tempos da repressão, um apartamento em Porto Alegre e, dentro dele, duas armadilhas. A primeira delas, montada por quatro ou cinco fiéis servidores das ditaduras brasileira e uruguaia que aguardavam ao lado de sua isca – a própria dona da casa, a militante esquerdista Lilian Celiberti – a chegada de um chefão da resistência uruguaia. A segunda era o truque tentado por Lilian no telefonema para marcar o encontro. Ela passou a senha combinada, uma palavra crucial para que o outro lado entendesse que ela estava sob domínio do inimigo. Deu certo. O chefão não foi. Mas eis que soa a campainha, Lilian vai abrir… e são dois jornalistas! Era uma sexta-feira, 17 de novembro de 1978. Assim que foi encostado um revólver na testa do repórter, no apartamento 110 da Rua Botafogo, 621, começou um interminável jogo de gato e rato entre democracia e ditadura na América Latina. O jornalista que viveu a história produziu um texto que já chega às livrarias como referência de um tempo. Operação condor: O seqüestro dos uruguaios (L&PM, 472 pp., R$ 49), que será lançado na sexta-feira na Feira do Livro de Porto Alegre, é um relato corajoso, uma crônica precisa, às vezes pesada, do medo vivido nas ruas e da infâmia dos porões dos anos 70.

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