A arte de Isaac Babel do princípio ao fim
“Nós nascemos para tirar prazer do trabalho, da luta e do amor. Foi para isso que eu nasci, e para nada mais.” A frase está no texto “Guy de Maupassant”, que integra a parte autobiográfica deste Contos escolhidos (A Girafa, 608 pp., R$ 79 – Trad.: Cecília Prada), do escritor judeu-russo Isaac Babel (1894-1940). Nascido em Odessa, cidade portuária do sul da Rússia, Babel – que muitos brasileiros devem conhecer por ter sido personagem de Rubem Fonseca em Vastas emoções pensamentos imperfeitos (1989) – levou a sério o que disse: escreveu muito, participou de frentes de batalha – as histórias dessa época estão em numerosos contos deste volume -, alistou-se na causa bolchevique por alguns anos, amou muito, teve três mulheres e três filhos, viveu muito bem até o fim dos anos 1920. Infelizmente, em 1940, com apenas 45 anos, foi executado por crime de espionagem. Ler Babel é uma viagem à Rússia conturbada dos anos 1910 a meados dos 30. Grande observador da realidade, ele retrata com pinceladas fortes os tipos humanos – soldados, gângsteres, prostitutas, velhos, crianças.
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