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Em companhia da dor, RSVP

11 de outubro de 2008
2 min de leitura

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Judeu de expressão alemã, nascido em Brody, Joseph Roth (1894-1939) foi voz importante na Berlim dos anos 20, precursor de um jornalismo literário que registrava tipos e sintomas da crise totalitária se avolumando, sensível às primeiras rachaduras no ovo da serpente econômico e político. Na metrópole sempre em obras, encontrou seu assunto justamente nessa geografia urbana convulsa. Mas, além do cronista arguto do cotidiano de boêmios e miseráveis compartilhando a mesma atmosfera de urgência, promessa e dissolução, de que Berlim (2006, Companhia das Letras) dá uma boa idéia, Roth foi romancista de talento, prefigurando a ascensão nazista em A teia de aranha (1932), e atualizando o episódio bíblico de Jó na história de um judeu oriental, Mendel Singer. Uma das narrativas bíblicas estruturalmente mais arquetípicas, a história do homem simples, justo e pio que, sem razão aparente, é posto à prova por uma sucessão de privações e um acúmulo de dor e sofrimento sem fim tem enorme apelo dramático. Os que tiveram a boa sorte de travar contato com o espetáculo do Teatro da Vertigem sobre o livro Jó (Companhia das Letras, 200 pp., R$ 44 – Trad. Laura Barreto), podem atestar.

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