A empatia com a dor dos outros
O segredo do bom tradutor se resume em uma palavra. Empatia. Coitado do tradutor que não tem capacidade de sentir o que o escritor sente. E mais coitado ainda do tradutor que se identifica com o que Fiódor Dostoiévski sente. Absorver o que pulsa no universo dostoievskiano não é tarefa para qualquer um. “Traduzir Dostoiévski é um desafio diabólico, ele põe o tradutor em tensão”, afirma Paulo Bezerra. Segundo Bezerra, diferentemente da erudição lingüística de Crime e castigo, a linguagem de Os irmãos Karamázov é um “amálgama terrível”, por mesclar o russo arcaico com o moderno e por exibir períodos longos, pontuação inusual e voltas sintáticas. “Dostoiévski não transgrediu somente na sua visão de mundo, mas nos padrões da linguagem.”
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