Livro evita julgar diplomatas latino-americanos
Trazer para o leitor do século 21 a história de como os diplomatas latino-americanos servindo na Europa reagiram à ascensão do nazifascismo é uma tarefa hercúlea que poderia iluminar um canto obscurecido da história. O jornalista Roberto Lopes se propõe a executá-la em seu livro Missão no reich – Glória e covardia dos diplomatas latino-americanos na Alemanha de Hitler (Odisséia, 560 pp., R$ 89). No fruto de viagens a 11 países e que as notas qualificam como uma obra extensa e detalhista de pesquisa, Lopes reconta o que diziam agentes consulares e embaixadores da época por meio do relato de cartas, mensagens e telegramas. Há preciosidades na garimpagem. Lemos como diplomatas brasileiros ora alertavam para os abusos flagrantes de nazistas em começo de carreira, sendo em alguns casos vítimas, e como ora cantavam loas a Mussolini. Nos textos, poucos deixam de confessar uma certa admiração pela “Nova Ordem” européia, em especial os argentinos e uma longa fila de diplomatas de países menos desenvolvidos.
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