Escrever foi a única coisa que restou
“Surto psicótico induzido por medicação. Não há o que fazer. Você tem que esperar passar”, disse o médico. Durante uma turnê em Portugal, em maio deste ano, a cantora Adriana Calcanhotto recebeu o diagnóstico, por telefone, de seu clínico no Brasil. Tinha saído do país já com uma gripe forte, e avalia que a cortisona que usa há 12 anos para um problema glandular – sozinha ou interagindo com os outros medicamentos para o mal-estar – tenha disparado um período de delírio e pânico, em que viveu as piores sensações de sua vida e teve medo de não voltar a controlar as próprias emoções e pensamentos. O resultado, uma narrativa desses dias em Portugal, entre a viagem de ida e a de volta – do seu país e de si mesma -, recebe de Calcanhotto e de seu psiquiatra o crédito de ter servido para salvá-la. Virou livro – mais “auto-ajuda” impossível, brinca a cantora. Saga lusa (Cobogó, 168 pp.) será publicado até o fim deste mês.
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