Lados de dentro e de fora
Quando era um jovem estudante da Universidade de Chicago, no começo da década de 1950, Howard S. Becker mantinha uma vida dupla: aluno de ciências sociais de dia, passava as noites nos night clubs da cidade, trabalhando. Becker tocava piano. Jazz. Integrante do trio do saxofonista Bobby Laine, apresentava-se em bares, restaurantes, casamentos, bar mitzvahs. Enquanto isso, freqüentava as aulas de professores como Herbet Blumer ou Everett Hughes. Hughes se tornaria orientador de Becker e lhe diria duas coisas determinantes. Para ele e para a história da sociologia posterior: 1) escreva claramente, não faz sentido usar uma palavra elegante se ela não for direta e clara; 2) não há motivo para não aproveitar a experiência que você tem sendo conhecedor de um mundo como o seu. Vá pesquisar músicos de jazz. Foi. E foi a partir desse olhar de insider que Becker fez brotar Outsiders: estudos de sociologia do desvio (Jorge Zahar, 232 pp., Trad. Maria Luiza X. de A. Borges), obra seminal de 1963, que tem lançamento no Brasil marcado para 14 de outubro.
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