As fronteiras de Imre Kertész
Resistência, resignação, sempre um obstáculo, desilusão e até esperança. Esses elementos estão presentes nos três contos de A bandeira inglesa (Planeta, 248 págs., R$ 37,50 – Trad.: Claudia Abeling), de Imre Kertész, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2002. A memória caminha indisciplinada, ao fluxo da consciência, no primeiro conto, o que dá título ao livro, que obriga o leitor a enveredar por um caminho entrecortado, cheio de frases e pensamentos intercalados, de um velho professor que narra a ex-alunos já formados há 20 anos, um episódio a que assistiu em Budapeste: a fugaz vitória de jovens revolucionários sobre a ditadura stalinista que dominava a Hungria, em 1956. Logo em seguida, os tanques soviéticos voltaram às ruas para impor seu regime. As histórias de Kertész são testemunhos de uma vida de restrições e sofrimentos. Filho de judeus, o autor, que nasceu em 1929 em Budapeste, foi enviado para Auschwitz, na Polônia, aos 15 anos. Logo depois, foi deportado para outros dois campos de concentração nazistas: Buchenwald e Zietz, na Alemanha.
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