No time das celebridades
Em 1926, um jovem alemão, radicado no México, publicava o seu primeiro livro disposto a jamais dar um autógrafo ou sequer revelar sua identidade. O pseudônimo era usado com alguma freqüência naqueles tempos, mas o enigmático escritor abusou: sob a alcunha de B. Traven construiu uma obra de prestígio, com mais de uma dezena de títulos, teve um de seus romances – O tesouro de Sierra Madre – filmado por John Huston e conseguiu manter-se no mais absoluto anonimato por toda a vida. Nos dias atuais, isso seria impossível. Qualquer editor ou agente literário com um pé na realidade do mercado iria dissuadir um candidato a B. Traven de seguir o caminho da reclusão ou do anonimato. Escritor hoje é estrela. Em entrevistas, é instado a falar sobre os traços autobiográficos de sua obra e dar opinião sobre assuntos variados. Quando chega à lista dos mais vendidos, surgem os convites para conferências e as fofocas sobre a disputa do passe pelas editoras. Carisma, especialmente em eventos literários, é considerado importante.
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