Geração mal-humorada, mas bem remunerada
Em nome da imagem, guiada pela venda de conceitos e com vistas à padronização pela média medíocre, uma agência de publicidade foi o ambiente-síntese escolhido pelo americano Joshua Ferris para criticar, com ironia, a mecanização do ambiente de trabalho. Em E nós chegamos ao fim (Nova Fronteira, 353 pp., R$ 39,90 – Trad. Myriam Campello), seu primeiro romance, a utilização da primeira pessoa do plural sufoca os que gostariam de colocar-se fora da engrenagem corporativa e envolve o leitor, tornando-o apenas mais um na massa indistinguível de números e prazos da contemporaneidade workaholic. O enredo se constrói na virada do século 21, após o estouro da “bolha”, quando trabalhadores mal-humorados e bem remunerados vêem ameaçados os pilares que consideravam inabaláveis: o emprego e o conforto de suas famílias. A recessão, que fechara fábricas longínquas, aproxima-se das grandes multinacionais, e as demissões surpreendem. A narrativa é pautada por despedidas.
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