Machado de Assis S.A.
Tem sido um grande ano para Machado de Assis (1839-1908), mesmo partindo de uma efeméride, o centenário de sua morte. “O lado negativo dessa espécie de síndrome de efemérides é que torna as coisas descartáveis. Machado corre o risco de ser considerado ultrapassado a partir do ano que vem”, pondera o escritor Alberto Mussa. Pela velocidade das coisas nos tempos de hoje, pode acontecer. Mas o reflexo da efeméride no mercado editorial brasileiro é impressionante: nunca se viram tantos Machados, o que é, antes de tudo, uma bênção. “Trata-se de um duplo reconhecimento”, diz o autor Moacyr Scliar. “Em primeiro lugar, ao escritor, e depois ao brasileiro humilde (pobre, mulato, doente) que, enfrentando tremendos obstáculos, chegou a uma posição de merecido destaque.” Claro que se faz necessário descontar algumas particularidades. A principal é que os direitos de publicação de suas obras estão em aberto. Mas Machado de Assis S.A. é uma empresa que daria lucro de qualquer maneira. Do contrário, não haveria tantos eventos correlatos competindo por um lugar na vida do leitor.
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