A liberdade de viver plenamente na Paris de 68
Com toda a revisão em torno do Maio de 68, este é sem dúvida um momento propício para a republicação de As armas e os barões (Agir, 384 pp., R$ 29,90), primeiro romance de Flávio Moreira da Costa. O autor afirma no prefácio que o livro começou a ser escrito quando se encontrava em Paris, hospedado no apartamento de uma amiga, em pleno Quartier Latin, no inverno de 1966 e 1967, e foi arrematado no fim de 1968. Dessa forma, os acontecimentos revolucionários inevitavelmente repercutiram na literatura; não, é claro, de maneira imediata, embora uma ou outra referência possam ser encontradas no texto, mas sobretudo na composição do romance, em sua temática e na construção dos personagens. Não menos dignas de nota são as soluções formais adotadas pelo romancista: a mescla de narrativas em primeira e segunda pessoa com poemas, notícias e trechos de cartas espelha singularmente as vivências do protagonista, espécie de nômade num mundo fragmentado.
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