Cartas com esperança e com afeto
Com esperança e com afeto. Todas as cartas de padre Antônio Vieira apresentam esses recursos para conquistar a simpatia do destinatário. “Mas suas correspondências não têm nada de estritamente pessoal, ou íntimo, da forma como pensamos hoje”, diz Alcir Pécora, um dos maiores especialistas brasileiros em Vieira, cujos 400 anos de nascimento são comemorados neste ano. Ele assina o prefácio do primeiro volume de Cartas (Globo, 484 pp., R$ 39), organizado pelo historiador português João Lúcio de Azevedo e editado pela primeira vez no Brasil. “Vieira via basicamente o ato de escrever como um ato negocial, uma forma de atuação fortemente política”, diz Pécora. Essa concepção, no entanto, não impedia o jesuíta de usar recursos emocionais para conquistar a boa disposição do leitor. Ele imprimia um “temperamento” às correspondências, por meio das quais estimulava uma partilha solidária com o destinatário, transformado em cúmplice. Se existe um caráter particular nas correspondências, ele aparece no comprometimento, até a medula, do jesuíta com suas crenças religiosa e política.
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