Na década de 1930, e até 1941, a emigração de judeus da Europa, cada vez mais desesperados, tornou-se um problema central para a administração britânica da Palestina. A região, tomada dos turcos pelos ingleses na 1ª Guerra Mundial, vivia uma situação de conflito explosivo: de um lado, estavam as ondas de refugiados das perseguições promovidas pelos nazistas, que lutavam para juntar-se ao chamado antigo ishuv. De outro lado, estava a população árabe local, formada por antigos súditos do Império Otomano, que se tornava cada vez mais arredia diante do crescimento dos assentamentos judaicos naquelas terras administradas pela coroa inglesa, que ganhava ímpeto à medida que a situação dos judeus da Europa se tornava mais e mais frágil. É em torno desse episódio que se constrói o romance O último irmão (Objetiva, 160 pp., R$ 26,90 Trad. Joana Angélica dÁvila Melo), de Nathacha Appanah, jovem escritora e jornalista nascida nas Ilhas Maurício, que hoje faz uma carreira de grande sucesso na França.