Obra evita análise tradicional sobre extinta Alemanha Oriental
Numa pequena cidade perto de Nuremberg, um grupo de pessoas passa o dia tentando colar minúsculos pedaços de papel. Quinze mil sacos com documentos picados a mão ou em máquinas fragmentadoras aguardam a paciência daquele punhado de funcionários. Cada saco revela um pouco mais da assustadora história da Stasi, a polícia secreta da extinta Alemanha Oriental. Na agonia do regime socialista, os membros da Stasi tentaram destruir os vastos arquivos de uma instituição que mantinha, talvez, um vigia para cada 6,5 cidadãos. No nazismo havia um agente da Gestapo para cada 2.000 cidadãos. A memória, fragmentada, começa a despontar página a página. Uma funcionária prevê que todos os textos estarão refeitos em… 375 anos. Anna Funder resolveu seguir outro caminho para refazer o passado. A partir do depoimento forte de Miriam Weber, cuja vida e amor foram dilacerados pela Stasi, a autora australiana começou a buscar depoimentos de vítimas e carrascos. O resultado foi o livro Stasilândia (Companhia das Letras, 376 pp, R$ 49 – Trad. Sérgio Tellarolli).
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta


