Paris as escuras
A cidade luz sob um prisma de escuridão é revelada no livro Topografia ideal para uma agressão caracterizada(Estação Liberdade, 232 pp., R$ 36 – Trad. Flávia Nascimento), de Rachid Boudjedra, que coloca a capital francesa em cena com uma imagem como que invertida. A topografia parisiense segundo Boudjedra reduz a cidade aos corredores e plataformas do metrô: lugar subterrâneo, angustiante, dédalo inextricável levando a direções diversas. Região de obscuridade simbólica por excelência, pela qual se constrói a imagem de uma Paris antípoda do mito da “cidade-luz”. Tal inversão se completa pelo fato de a narrativa por em cena ainda a relação de um homem triplamente despossuído de si mesmo – estrangeiro, imigrante e analfabeto – com a cidade de Paris.
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