As diferentes engrenagens do medo
O medo é componente essencial das engrenagens da vida. Por meio dele, faz tempo, definem-se quem manda e quem obedece. É curioso, mas em alguns momentos da História brasileira, o medo ganhou feição, gestos próprios e até construiu uma arquitetura típica. Muitas vezes, o modo de sentir medo misturou-se com a chegada de coisas novas, de modernidades, que eram mais eficientes, porém, mais assustadoras. O professor da USP, José de Souza Martins, sociólogo de ofício, atento observador da cena histórica de São Paulo, reuniu em A aparição do demônio na fábrica (Editora 34, 224 pp., R$ 36), as diferentes lógicas do medo. O ponto de partida foi o fim, na década de 1860, da ‘lenta’ São Paulo, quando uma ferrovia, saindo do porto de Santos, ‘inundou o planalto’.
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