Mais que célebre dicionarista
Um escritor com nome de dicionário (ou um dicionário com nome de escritor), Aurélio Buarque de Holanda teve outras vertentes de sua obra eclipsadas pela sua fama de lexicólogo. Ele era mais do que um célebre dicionarista. Era, também, tradutor, ensaísta, cronista e contista. Como prosador, deixou um único volume. Dois mundos, de 1942, ganhou o Prêmio Afonso Arinos, da ABL, e revelou um contista criativo e atento às manifestações folclóricas de Alagoas. O mundo ingênuo e analógico da primeira metade do século 20 no Brasil pode ser detectado pelos leitores na antologia Os melhores contos – Aurélio Buarque de Hollanda (Global,214 pp., R$ 32). Além das peças de ficção, estão presentes seis narrativas de puro memorialismo. Todos os textos, ficcionais ou não, vão de 1939 a 1941 e podem ser classificados como fotográficos, dada a profusão de detalhes criados pelo autor.
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