Clarice é pop
Toda estrela que se preze já ganhou biografia não-autorizada ou álbum de fotos de sua carreira. Com Clarice Lispector (1920-1977) não poderia ser diferente. Clarice – Fotobiografia (Imprensa Oficial; 656 pp., R$ 90), livro com 800 imagens, muitas delas inéditas, reforça o apelo extraliterário, o “star quality” da autora. Esse apelo é reconhecível sobretudo entre os jovens, cujo fascínio por Clarice tem um forte termômetro na internet. O site de relacionamentos Orkut, por exemplo, tem 103 comunidades dedicadas a Clarice. Outro altar de celebração da imagem de Clarice é o YouTube, em que uma busca pelo nome da escritora gera mais de 170 resultados, entre eles videopoemas em sua homenagem. Autora do perfil “Clarice Lispector” (Publifolha), Yudith Rosenbaum não concorda que a fotobiografia estimule a idolatria ou celebre o lado “pop” da autora. Há quem discorde. O poeta Ferreira Gullar, colunista da Folha, diz que foi “vítima” da beleza de Clarice na sua juventude. Gullar tem até hoje uma foto da musa, recortada de uma revista, sobre uma estante.
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