Goethe e Hackert: paisagem em tela
A discussão sobre os méritos relativos de Taunay e Debret e sobre o caráter da missão artística francesa é um subproduto interessante do rebuliço que os números redondos teimam em provocar. No caso dos 200 anos do desembarque da família real portuguesa no Brasil, a efeméride é bem-vinda, se, entre outras coisas, nos leva a repensar a contribuição individual de ambos à forja da imagem para o mundo da terra que acolheu a corte lusitana no exílio. Cláudia Valladão de Mattos, professora de artes plásticas na Unicamp, organizou Goethe e Hackert: sobre a pintura de paisagem (Ateliê, 152 pp., R$ 25) em torno da relação fecunda entre um pintor de paisagem, o alemão Jakob Phillip Hackert (1737-1807), e seu aprendiz de desenho, o poeta do “Fausto”, Johan Wolfgang Von Goethe (1749-1832). O livro apresenta a defesa do modelo neoclássico do gênero contra a emergente força romântica, debate estético decisivo para os rumos que o pensamento de Goethe assumiu em seus anos de maturidade.
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