A vida de Leninha
Foi em 1944, nos Diários Associados de Assis Chateaubriand, que Nelson Rodrigues criou Suzana Flag, pseudônimo com o qual assinou Meu destino é pecar (Agir, 464 p – R$ 49,90), em O Jornal. Os 38 capítulos narram a vida de Leninha, que se casa com Paulo, um homem que ela não ama, para salvar a família da derrocada financeira. Ao chegar à casa da fazenda Santa Maria, Leninha encontra um ambiente marcado pela memória da morte trágica de Guida, primeira mulher de Paulo, e pela disputa entre Paulo e o irmão Maurício. “Nós dois somos demais no mundo. Um tem que morrer”, diz Maurício. Ao criar, mesmo neste romance de gênero, uma narrativa em que nada é o que parece, Nelson Rodrigues apresenta sua visão complexa do mundo, filtrada pela voz feminina de Suzana Flag.
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