No Pós-Guerra, Beckett expressa o impossível
O mesmo Adorno que afirma que “escrever poesia após Auschwitz é um ato de barbarismo” também diz que a não-repetição de Auschwitz é um imperativo categórico. Como então lembrar a barbárie, se é bárbaro expressá-la, ao menos poeticamente? Restam a nós, sobreviventes, exclusivamente as linguagens das ciências e da prosa? O irlandês Samuel Beckett deparou, certamente, com ambas as barbáries: a da guerra e a da expressão poética dessa mesma guerra. Daí dizer, como conta a tradutora Ana Helena Souza na introdução à reedição de Molloy (Globo), que a única alternativa viável para o artista contemporâneo era “a expressão de que não há nada para expressar, nada com que expressar, nada a partir do que expressar, nenhuma força para expressar, nenhum desejo de expressar, junto com a obrigação de expressar”.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta


