O homem mal vestido que furtava livros raros
Três anos após do início da aventura, e um monte de livros surrupiados, a Polícia Judiciária deteve o falso jornalista José Correia da Silva, no Museu Soares do Reis em Portugal, quando preparava mais uma das suas “reportagens”. Como é que esse homem que se “vestia mal”, teve o engenho para furtar uma primeira edição raríssima de A mensagem, de Fernando Pessoa, na biblioteca da Faculdade de Letras, Vida do Apostolico padre António Vieyra, no Seminário Maior, ou a valiosa primeira edição do Só, de António Nobre, com dedicatória, na biblioteca da Fundação Guerra Junqueiro? A humilde maneira de se vestir, enfim, favorecia o homem “bem falante” que se apresentava como jornalista da imprensa ou da televisão. A roupa que usava, diz um dos bibliotecários burlados, reforçava a imagem “do intelectual excêntrico”, despojado e adverso a valores materiais.
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