Enfim, o livro que chocou fãs de Grass
O polêmico livro do escritor alemão Günter Grass, Nas peles da cebola (420 pp., R$ 60), em que o Nobel de Literatura revela seu envolvimento com o regime nazista quando jovem, chegou neste sábado (13/10) às livrarias de todo o País pela editora Record, numa tradução do escritor gaúcho Marcelo Backes. Falar na terceira pessoa, diz o senso comum, pode indicar alguma perturbação mental, mas é válido e conveniente como recurso estilístico. Livra-se do peso de memórias incômodas e culpa-se o “outro” pelas besteiras que se faz. Pode ser que, aos 15 anos, Grass fosse mesmo um imbecil apaixonado pela suástica, mas, aos 18, Rimbaud já havia parado de escrever poesia por considerar que nada mais tinha a dizer ao mundo. Enfim, o fato é que Günter Grass, ao 15 anos, apresentou-se como voluntário aos nazistas, primeiro à Marinha, sem ser recrutado. Insistiu e, aos 17, conseguiu ser integrado à tropa de elite Waffen-SS. Grass jura que nunca deu um tiro nem matou ninguém. Foram os outros. Sempre os outros.
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