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Dois malditos, duas obras-primas

02 de setembro de 2007
1 min de leitura

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Quando Charles Baudelaire enviou um artigo sobre Madame Bovary para o jornal literário L’Artiste, publicado em outubro de 1857, ele pretendia bem mais que comentar o livro. Além de tornar manifesta sua opinião favorável sobre o romance, o texto mandava um recado explícito aos censores que haviam processado a ele e a Gustave Flaubert naquele mesmo ano por ofensa à moral, aos bons costumes e aos princípios religiosos. Num intervalo de apenas seis meses, os dois escritores tinham sido convocados pela justiça francesa para defender os respectivos livros das acusações de imoralidade imputadas pelo promotor imperial, o todo-poderoso Ernest Pinard. No final do processo, Flaubert foi absolvido, mas o autor de As flores do mal acabou sendo condenado a uma multa de 300 francos e a suprimir seis poemas do volume que acabara de lançar, fruto de mais de 15 anos de trabalho.

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