A história sou eu
A Argentina dependeu dos relatos pessoais daqueles que sobreviveram à ditadura (1976-83) para construir sua história mais recente. Conseqüentemente, eles ajudaram a legitimar o processo de redemocratização do país, entre outras coisas, por viabilizarem a busca dos culpados pela repressão militar, responsável pelo desaparecimento de mais de 30 mil pessoas. Apontar os limites ou falhas do poder desses depoimentos, portanto, seria adentrar terreno pedregoso. Mas é exatamente isso que Beatriz Sarlo, 64, uma das mais importantes intelectuais argentinas, faz em Tempo passado – Cultura da memória e guinada subjetiva (UFMG/Companhia das Letras, 136 Pp., R$ 33,50, trad. Rosa Freire d”Aguiar), que está saindo no Brasil.
“O testemunho pessoal foi fundamental para provar os crimes dos responsáveis pelo terrorismo de Estado, pois todas as outras formas de prova haviam sido destruídas”, disse na entrevista para a Folha.
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