O Fausto pândego
O nome Fausto é indissociável da tragédia de Goethe. Entretanto, a versão do poeta alemão para a lenda do sábio que vende a alma a Mefistófeles, em troca de poderes ilimitados, é a deformação genial de um enredo cujo modelo continua sendo A histórica trágica do doutor Fausto (Hedra, 128 pp., R$ 18, trad. A. de Oliveira Cabral), peça escrita por Christopher Marlowe no final do século 16. Bem entendido, é com Goethe que Fausto se transforma num mito literário reelaborado por autores como Fernando Pessoa, Valéry, Bulgakov ou Thomas Mann. Neles, porém, o pacto com o demônio é menos heresia do que uma metáfora na qual a afronta teológica serve de mote para o desejo moderno de emancipação em relação a Deus.
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