A síntese de Kaváfis
Conta-se que, pouco antes de morrer, Konstantinos Kaváfis, o maior poeta grego moderno, pediu que o enfermeiro lhe trouxesse lápis e papel. Era o ano de 1933 e Kaváfis, com um câncer terminal na laringe, agonizava no Hospital Grego de Alexandria. O enfermeiro pensou que o poeta, que já não podia mais falar, quisesse fazer algum pedido simples, que anotaria em duas ou três palavras. Em vez disso, Kaváfis desenhou um círculo na folha em branco. Em seguida, colocou um enfático ponto negro em seu centro. E mais nada. Lenda ou não, o círculo solitário resume a poesia de Kaváfis. O poeta, que nasceu e viveu no Egito, sempre escreveu em grego. Deixou 154 poemas. Setenta e quatro deles reaparecem, em tradução de José Paulo Paes, na coletânea Poemas (238 pp., R$ 33), que volta ao mercado vinte e cinco anos depois de seu lançamento, agora na coleção Sabor Literário, da José Olympio.
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