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Livro de Burroughs explora estilo fino e humor grosso

21 de fevereiro de 2007
1 min de leitura

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Alguns livros memorialísticos nos permitem rir da desgraça alheia sem culpa. É o caso de Correndo com tesourar (Ediouro, 272 pp., R$ 34,90), de Augusten Burroughs. Ao lê-lo, a necessidade de conter a gargalhada diante da queda do semelhante se torna dispensável, quase supérflua. Esse é o xis da questão: se podemos zombar às claras das desventuras narradas pelo impúbere Augusten, qual pode ser a graça? Assim, com o progressivo virar de páginas, as risadas vão morrendo no canto da boca. Até ficarem amarelas. Risos amarelos e faces enrubescidas, nada é capaz de refrear a desfaçatez do hipersensível Augusten frente à vida. Filho de professor alcoólatra com uma poeta terrível, além de grandiloqüente e maluca, o garoto nada pôde fazer para impedir os pais “de atirar romances de John Updike na cabeça um do outro”.

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