Livro de Burroughs explora estilo fino e humor grosso
Alguns livros memorialísticos nos permitem rir da desgraça alheia sem culpa. É o caso de Correndo com tesourar (Ediouro, 272 pp., R$ 34,90), de Augusten Burroughs. Ao lê-lo, a necessidade de conter a gargalhada diante da queda do semelhante se torna dispensável, quase supérflua. Esse é o xis da questão: se podemos zombar às claras das desventuras narradas pelo impúbere Augusten, qual pode ser a graça? Assim, com o progressivo virar de páginas, as risadas vão morrendo no canto da boca. Até ficarem amarelas. Risos amarelos e faces enrubescidas, nada é capaz de refrear a desfaçatez do hipersensível Augusten frente à vida. Filho de professor alcoólatra com uma poeta terrível, além de grandiloqüente e maluca, o garoto nada pôde fazer para impedir os pais “de atirar romances de John Updike na cabeça um do outro”.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta

