Horto de estrabuleguices
Em O mamaluco voador(Travessa dos Editores, 144 pp., R$ 25), de Luiz Roberto Guedes, o padre Manuel da Nóbrega escreve a um colega de Goa, contando as desventuras de um jesuíta mestiço que, como “servo de Sathanaz”, empenha-se em voar na “machina volatrix” concebida por herege luterano. Em Catrâmbias! (Editora 34, 80 pp., R$ 25), de Evandro Affonso Ferreira, a protagonista é uma “velhota zuruó bilontra” que repassa suas lembranças enquanto come “jabuticabas mnemônicas” na “cacimba anômala”, na “Stultifera Navis”, no “horto de estrabuleguices” — ou, mais simplesmente, no manicômio. Em comum entre os dois autores, uma capacidade infernal de reinventar a linguagem literária a partir de escombros do vernáculo. Entretanto, são planos diferentes de pesquisa e criação.
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