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Ela fez Paraty chorar

19 de agosto de 2006
2 min de leitura

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A Editora Record está relançando toda a obra poética e em prosa da escritora mineira Adélia Prado, que, se estivesse em campanha política, teria ganhado pelo menos 700 votos no momento mais catártico do último dia da FLIP. Pouco antes da primeira palestra de domingo em Paraty, ela recebeu o Estado para uma entrevista exclusiva. Simultaneamente, a duas mesas de distância, outra mulher falava com um repórter, a escritora americana Toni Morrison, ganhadora do prêmio Nobel de literatura de 1993. Surpresa, Adélia perguntou, curiosa, qual era o tema de sua literatura. Foi o bastante para que tivesse início uma conversa sobre militância política, intolerância e globalização. Para surpresa de quem a quer presa numa sacristia, por ser uma escritora católica, Adélia não escapou de perguntas sobre terrorismo, corrupção no governo e até sobre Sade. Como o marquês, a brasileira assume que a condição existencial é mesmo miserável. Estamos condenados a descobrir a beleza do mundo. Para isso, diz, temos de aceitar a alteridade, a diferença que nos torna iguais. Foi esse o fio condutor da conversa, em que revelou seu desapontamento com Lula e sua admiração pelo radicalismo de homens-bomba, que, segundo a poeta, impõem um limite ao nosso mundo sem freios.

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