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Enciclopédia revela paradoxos da esquerda latina

18 de agosto de 2006
2 min de leitura

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O ambicioso projeto de Latinoamericana – Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe, que a editora Boitempo lança no próximo dia 25 (1.460 pp., R$ 190), pode ser visto como manual e síntese da “situação paradoxal” da esquerda na região neste início de século 21. Um diagnóstico sobre os esquerdistas do continente é feito pelo sociólogo Emir Sader, um dos organizadores do compêndio de 980 verbetes dedicados à política, à cultura e à economia, que, segundo Ivana Jinkings, a editora da Boitempo, já estão sendo traduzidos para o espanhol (e já há negociações com editoras latino-americanas para a definição da casa editorial que, independente da casa editorial que, independentemente ou em parceria, assumirá a edição e distribuição do projeto no resto da região). Entre os autores de verbetes (alguns são, na verdade, ensaios) estão o sociólogo brasileiro Francisco de Oliveira, o economista Marcio Pochmann, a pesquisadora mexicana Ana Esther Ceceña, o antropólogo, também mexicano, Néstor García Canclini e o sociólogo norte-americano Mike Davis. É no modo mais ou menos crítico com que tratará essas diferentes “fisionomias” da esquerda atual e seus paradoxos que está o que há de melhor e de pior na obra. Recebedora de patrocínios da Petrobras, da Eletrobras e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que somaram R$ 750 mil, o conjunto não pode ser qualificado como leniente com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas são vários os momentos em que o encanto e a falta de crítica com personagens como Fidel Castro, Che Guevara e o regime cubano revelam a face mais conservadora e distante dos “novos temas” da esquerda -assim tratados por Sader-, como direitos humanos e liberdades civis. A escolha de autores também influi, mais que na inclinação ideológica, nos limites da enciclopédia. No verbete sobre a Bolívia, por exemplo, o autor é o sociólogo Álvaro García Linera. A escolha seria inquestionável, não fosse García justamente o vice de Evo Morales.

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